A LOJA DE LUZES

By Aline Silveira - Cupido Brega - 21:06:00


Lauren passava todos os dias em frente a uma loja de luminárias, lustres e enfeites iluminados, ela sempre considerava o melhor momento da volta da escola, pois por alguns minutos ignorava o fato de precisar voltar para sua casa simples e sem coisas caras e poderia brincar em sua mente que morava naquele lugar, que muito se parecia com um palácio das histórias que lia.

Alguns colegas achavam estranho ela sempre preferir andar daquele lado da rua, cheio de pessoas engravatadas passando como se não estivessem vendo outras pessoas, se podia ir pelo outro lado e cortar caminho dentro da galeria com fachada colorida onde ficava a melhor loja de produtos eletrônicos e games e algumas lancherias com boas promoções para atrair estudantes famintos. Mas Lauren não abriria mão de seu momento mágico.

Após a escola ela sempre almoçava calada junto com a família e se jogava na cama olhando vídeos e fotos de pessoas famosas. Essa era sua diversão, sonhar com uma realidade glamurosa. Por isso aquela loja exercia tanto fascínio sobre ela e por isso não a trocava por uma galeria cheirando a pastel e hambúrguer. 

Mas essa tarde sua mãe tinha reservado uma atividade diferente para ela, achava que Lauren precisava sair de casa, então a levou para o seu trabalho. A mãe de Lauren trabalhava em um escritório pequeno, na menor sala. Lauren observava as canetas guardadas em uma lata de conserva decorada caseiramente, a cadeira giratória sem uma das rodinhas e a tinta das mobílias descascando. Não era um lugar realmente feio, mas os olhos de Lauren eram muito observadores e acreditava ela, feitos para apreciar o belo. Assim que chegaram e antes mesmo de sua mãe se sentar, o chefe já apareceu na porta fazendo mil e uma exigências, como aquela mulher que adorava impor regras em casa conseguia aturar alguém lhe dando tantas ordens? 

Lauren ganhou uma cadeira e uma pilha de papeis que precisavam ser grampeados, já tinha diversão para a tarde toda. Mas na hora do café, o chefe de sua mãe entrou novamente na sala, além das ordens que Lauren poderia considerar normais, ele também solicitou que sua mãe tirasse a poeira de um armário. No mesmo instante ela se levantou e em voz alta se dirigindo ao homem, disse que aquilo era um absurdo! Que aquilo era tarefa para uma faxineira e sua mãe não tinha estudado pra fazer isso!

A mãe de Lauren tentou se desculpar ao mesmo tempo em que tentava parar a menina, mas ela parecia não perceber que aquilo teria consequências. Então o homem saiu da sala sem dizer uma palavra, mas com uma expressão que deixava claro que não estava satisfeito. Lauren sentou, respirou fundo e disse que queria ir embora imediatamente, que nunca mais pisaria em um lugar assim, e que tinha vergonha de uma mãe que aceitava um trabalho desses. 

No outro dia, ainda com uma sensação de incômodo muito grande pela descoberta de como sua mãe era tratada no trabalho, resolveu que deveria entrar na sua loja favorita. Ela sabia que não tinha condições de comprar nenhum objeto ali e sabia que isso estava explícito em suas roupas, mas precisava fugir de sua realidade por mais tempo que o tempo que levava para passar ali em frente. 

Assim que passou pela porta ela precisou diminuir a velocidade dos passos, poderia esbarrar em algo e estaria cheia de problemas. Mas era tudo tão lindo que precisava explorar mais. Não tocou em nada, apenas observou enquanto andava pelos corredores. Tinha uma espécie de sala no meio da loja, onde algumas pessoas ficavam sentadas enquanto falavam com outras em pé, provavelmente vendedoras. Mas ela preferiu ficar na parte menos exposta da loja, com artigos menores e com menos chance de causar prejuízos. Os lustres que eram sua paixão ficavam pelo teto, então conseguia observar de onde estava. Ficou contente de não ter sido notada, provavelmente não iam perder tempo com ela, já que tinham pessoas muito melhores vestidas sentadas e tomando chá para se ocuparem. Poderia ser mandada pra fora, mas não queria cogitar isso. 

Bem próximo a ela, mas do outro lado de vários itens da loja, estava parado um menino, provavelmente um pouco mais velho que Lauren, ele vestia uniforme de escola, de uma escola particular e bem conhecida na cidade. Ele estava mexendo no celular e com um olhar de desdém vez ou outra olhava em direção ao sofá. Lauren conseguia observar por entre os objetos, mas ele provavelmente não a via, ou não estava preocupado em prestar muito a atenção no que tinha por ali. 

A mulher sentada usando roupas caras devia ser a mãe do menino, se pareciam fisicamente, e ele parecia impaciente com a demora dela. A vendedora ofereceu água, refrigerante e até doces a ele, mas nada parecia agradá-lo. Enquanto isso, a mãe só prestava a atenção nos catálogos em sua mão. Lauren pensou que nem em seus dias mais cansativos sua mãe foi tão indiferente com ela. Inicialmente tinha se irritado com o menino e sua cara arrogante, mas depois sentiu pena, pois não devia ter aprendido muita coisa com aquela mãe distraída. 

Passado alguns minutos, ele pegou um objeto, que Lauren nem sabia pra que servia e deu um grito pedindo permissão para comprá-lo, a mãe sem olhar respondeu que sim. Lauren ficou chocada, em um primeiro momento pensou que gostaria de poder comprar algo sem nem olhar o preço, depois, observando que o rapaz ficou insatisfeito com a facilidade da autorização, percebeu que ele também não deveria saber pra que aquilo servia e nem mesmo estava interessado em comprá-lo. 

Lauren parecia ter esquecido o que foi fazer naquela loja, só conseguia prestar a atenção no menino e tentar entender porque alguém que parecia ter tudo estava tão infeliz. O próximo passo dele foi fazer uma ligação, ele falava com o pai e dizia que precisava ir morar com ele, mas pela sua expressão a resposta não era muito satisfatória. Eis que a mãe se levanta do sofá e no tempo de um passo está arrancando o celular da mão dele. Ela fala na linha que o menino apenas está tendo mais uma de suas crises de má educação, aproveita para perguntar sobre um depósito financeiro e desliga. Vira para ele e diz que sente vergonha de ter um filho que não sabe se portar em público. 

Lauren sentiu que o vilão dessa história não era quem foi feito parecer ser, e então lembrou do dia anterior. Antes que pudesse refletir mais, o menino jogou o objeto desconhecido no chão, causando um estrondo na loja. Ela conclui que já viu o suficiente ali.

Saindo na porta Lauren olhou o relógio e percebeu que perdeu a hora do almoço e que sua mãe já devia ter saído para trabalhar. Achou ótimo, precisavam conversar e não havia melhor lugar para isso do que a pequena sala de trabalho.

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26 comentários

  1. Olá, tudo bem?
    Achei linda a moral do conto, acho que Laurel teve uma grande aprendizagem e espero que ela dê mais valor a sua mãe e tente mudar sua condição sem menosprezar o de outros.
    Beijos
    http://amandastale.blogspot.com

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  2. Que texto lindo, amei a história e a lição que ela passou, espero que muitas pessoas leiam esse post para aprender isto! ❤

    www.kailagarcia.com

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  3. Eu achei meio triste.
    No fim a Laurel aprendeu, mas honrar pai e mãe tem que acontecer desde pequeno.
    kisses

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  4. No fim a Lauren entendeu! Por vezes não valorizamos aquilo que temos de bom :) Gostei muito de ler.
    Beijos, The Fancy Cats

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  5. Oie
    Gostei do texto, nos faz refletir sobre várias coisas, principalmente em relação a nossa família.

    Beijinhos
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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  6. Gostei muito do texto, ele ilustra bem as pequenas-grandes lições que aprendemos no dia a dia, nesse processo de crescer e enxergar os pais como o mundo externo os enxerga. Bacana demais.

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  7. Nossa, que conto tão maravilhoso! Com simplicidade você fez um conto que tem uma moral muito importante. Talvez não tenhamos a vida que desejamos, mas não sabemos como é realmente a vida do outro. Talvez temos que aceitar o que não achamos aceitável e aprendermos a valorizar nossa própria vida. Não sei se era isso o que você queria passar, mas foi o que trouxe para mim e foi maravilhoso.
    Parabéns, sua escrita é fantástica!
    Magia é Sonhar

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  8. Oi, Alice!
    Amei sua história. Nunca que eu ia imaginar essa moral a partir do título.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do #Sorteio1KSeguidores

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  9. Oi,
    Uau, adorei o conto <3 parabéns, você tem talento! ;D
    Abraços,
    tonylucasblog.blogspot.com.br

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  10. Aii que lindo e eu fico encantada com esses textos!!
    rsrs

    Beijinhosss ;*
    Blog Resenhas da Pâm

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  11. Oie Aline =)

    A vida é cheia de pequenas lições e se prestarmos atenção todos os dias aprendemos algo novo com ela. Gostei muito do texto e da forma sutil como você desenvolveu a narrativa.

    Parabéns!

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

    ps: Sobre os livros da Julia, você pode começar ou pelo Duque e Eu, primeiro livro da série Os Bridgertons ou por Simplesmente o Paraíso mesmo. A vantagem é que a série do Quarteto é mais curta "só" com quatro livros enquanto a outro são nove rs...

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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  12. Oi Aline!
    Adorei o conto e o modo como Lauren foi refletindo sobre suas próprias ações.

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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  13. Olaa! Tudo bem?
    Que legal!! Gostei muito do conto, até porque não esperava o rumo que ele tomaria.. e no final, uma grande lição! :)
    Beeijo

    https://lecaferouge.blogspot.com.br/

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  14. Engraçado que lendo seu texto eu vi uma pessoa que estudou comigo uma vez. Essa pessoa disse, perto das férias, pra mim assim "Ah, meu pai me da dinheiro pra viajar, mas nem me dá atenção, ele me dá dinheiro pra não ter que conversar comigo" e eu achei isso tão amargurante, sabe? Por sorte essa pessoa tinha uma irmã mais velha e a mãe dela também, então podia ficar bem. Gostei do conto!
    Beijos!

    www.likeparadise.com.br

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  15. Que texto lindo, as vezes nem tudo que é extremamente bonito por fora é por dentro também
    Beijos
    http://lolamantovani.blogspot.com.br

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  16. Parabéns pela dissertação. realmente muito envolvente. Parabéns.

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  17. Texto lindo, amei demais a história.

    Beijos
    https://pimentasdeacucar.blogspot.com.br

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  18. Pais são feitos para colocar em primeiro lugar <3

    Beijinhos,
    AmigaDelicada.com.br

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  19. Meu Deus, que texto, que lição...amei! Já quero mais textos assim <3
    Beijos

    www.marinaalessandra.com

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  20. Ótimo!!
    É como falaram alí em cima, a vida nos mostra muitas lições, cada dia aprendemos algo...

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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  21. Às vezes a lição de moral vem de onde menos esperamos não é mesmo? Gostei da lição de moral que a Lauren levou indiretamente.

    www.vestindoideias.com

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  22. Gostei muito do conto :) São atitudes e pessoas aleatórias de nossas que vidas que mostram coisas para nós que menos esperamos. Boa lição

    Sobre Logan e The Last of Us, na minha resenha eu falei que claramente Logan se inspirou na arte do jogo tbm, bem na cara mesmo

    bjs, Carol | Espilotríssimo
    www.carolespilotro.com

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  23. Que lindo esse conto! É incrível como podemos tirar lições de situações que nem imaginamos, né?
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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