A ÚNICA SOLUÇÃO POSSÍVEL?

By Aline Silveira - Cupido Brega - 16:13:00

Dylan estava procurando as palavras certas para o bilhete, tudo que tentava dizer para explicar sua decisão parecia fazer a culpa cair sobre alguém, não era isso que ele queria.

Como dizer aos amigos que insistiam em tentar leva-lo para festas com frases ‘’você precisa se animar’’ ou ‘’bebe que passa’’, como poderia explicar que a cada frase dessas, ele só concluía que estava a cada dia mais distante emocionalmente dessas pessoas e que nunca seria compreendido. Que cada vez que não enxergava saída, tinha mais certeza que precisava acabar logo com isso. 

Seus últimos meses se resumiam em estar no quarto, não ter vontade de colocar os pés para fora de casa e não ver sentido em acordar. 

Quando se forçava a levantar da cama se sentia tão agoniado que só queria pular àquelas horas, queria que alguém inventasse o botão ‘’economia de energia’’ para entrar em um modo de só estar existindo, que não fosse necessário pensar e muito menos sentir alguma coisa. 

Às vezes se sentia culpado quando pensava em pessoas com ‘’problemas reais’’ que pareciam mais alegres que ele. Mas não tinha controle sobre seus sentimentos. Não era capaz de fazer sumir a sensação de que ele é apenas um telespectador da vida dos outros e que não sabe bem como entrar no elenco da vida. 

Se ele não fosse tão esclarecido com relação às drogas já teria feito uso delas, pois entende porque algumas pessoas recorrem a elas. Assim como recorrem ao álcool, para esquecer, pra sair do seu corpo, pra suprir a falta do botão que te deixa no mesmo estado só que conservando sua saúde.

Não queria contar a sua mãe que quando ele tentava pedir ajuda de forma sutil explicando seus sonhos e como seu emprego atual o deixava a cada dia mais longe deles ou sobre as ideias de dieta para controlar sua compulsão alimentar, já que sabia que se não fosse algo planejado ele não conseguiria seguir, e ela sempre rebatia com um ‘’ mas eu trabalho assim ou assado’’ ou ‘’mas eu consigo controlar e comer só um pouco’’ só o fazia perceber que nunca conseguiria o apoio que precisava e que continuaria em um emprego ruim e acima do peso para o resto da vida. Não havia perspectiva de algo melhorar. 

Ele sabe que todos esses comentários não eram por mal, mas ela nunca o enxergou de verdade. Então ele também não queria se sentir culpado por deixar ela sem algumas explicações. 

Estava decidido. Ele não queria acabar com sua vida, queria parar de sentir dor. Dor por dentro que já se refletia por fora pelo seu sedentarismo, sua alimentação errada, pelo seu sono às vezes demais e às vezes nenhum. Queria parar de ter vontade de chorar quase todo dia. E de chorar ainda mais quando se sentia sozinho não importando o quanto de pessoas houvessem por perto, de não ter pra quem contar o que sentia e que realmente fosse compreender. Da sensação de que não fazia parte de nada e que não fazia grande diferença no mundo.

Não foi uma decisão fácil, mas ele só estava ‘’aprendendo a lidar com isso’’ como todo mundo ao seu redor dizia, estava sendo forte e reagindo ...

#SetembroAmarelo 




‘Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.‘ www.setembroamarelo.org.br

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